pandemia pelo COVID-19 afetou todos os setores da sociedade e economia, e na cadeia de saúde provocou profundas transformações que devem ser irreversíveis e definirem o novo normal.
Entre estas transformações, temos muitas associadas à tecnologia, mas outras que compreendem mudanças comportamentais que já eram temas discutidas há alguns anos na medicina e que agora estão sendo implementadas e valorizadas como nunca:
1 - Telemedicina
O termo se aplica a uma ampla gama de atividades. Entre estas atividades, estão a teleconsulta e telediagnóstico, que previamente não eram permitidos no Brasil e que, agora, durante a pandemia, foram permitidos. A despeito do caráter provisório, a grande maioria dos especialistas acredita que esta liberação será perene.
Ainda dentro do termo telemedicina estão o telemonitoramento e telereabilitação, que já demonstraram diminuição de hospitalização e melhora de casos crônicos.
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2 - Empoderamento dos pacientes
O maior determinante da saúde de um indivíduo é a busca de um estilo de vida saudável (fonte: Laura K. Brennan Ramirez, PhD, MPH, Elizabeth A. Baker, PhD, MPH, and Marilyn Metzler, RN, Promoting Health Equity: A Resource to Help Communities Address Social Determinants of Health (Centers for Disease Control and Prevention, 2008). Este fato é conhecido há muitos anos, mas nunca teve tanta credibilidade quanto agora no enfrentamento da COVID-19. Os pacientes precisam assumir seu papel ativo no plano terapêutico e acesso a fontes de educação em saúde. Vale o paralelo que a lei da telemedicina aponta o uso da ferramenta para a finalidade de educação em saúde.
3 - Mobile Health
O uso de sensores está auxiliando o monitoramento de pacientes em suas casas e unem os 2 conceitos anteriores (telemedicina e empoderamento) pois auxiliam os pacientes a executarem o autocuidado. O principal papel dos sensores é a captação de dados para acompanhamento de doenças crônicas e ajudar o paciente a atingir as metas terapêuticas.
4 - Overdiagnosis ou prevenção quaternária
O termo, em inglês, poderia ser traduzido como “sobrediagnóstico” ou diagnósticos exagerados e sem benefício comprovado para os pacientes. Já o termo prevenção quaternária significa evitar exames, medicamentos ou procedimentos desnecessários. Existe um movimento mundial, que também existe no Brasil, chamado Choose Wisely que lista uma séria de ações na medicina que não agregam valor comprovado no paciente.
Comparecer na consulta médica ou laboratório ou hospital sem indicação configuraria uma condição em que o risco possa ser maior que o benefício. Exatamente esta situação que a telemedicina procurou evitar e estamos vivendo uma busca ao lean healthcare ou medicina enxuta e focada naquilo que comprovadamente gera valor para o paciente.
5 - Data Analytics
Data analytics tem o poder de auxiliar a decisão em todos os campos da medicina. Podem acompanhar os planos terapêuticos e dar suporte às decisões clínicas assim como auxiliar nas pesquisas sobre novos medicamentos, vacinas e toma de decisões no campo de gestão da saúde.
A técnica de machine learning funciona como uma verdadeira máquina de predição estatística diante de situações complexas, o que é extremamente importante no cenário que vivemos na pandemia. O COVID-19 causou uma mudança extremamente complexa do cenário da cadeia de saúde. E é exatamente neste contexto que data analytics e inteligência artificial podem oferecer uma grande ajuda e sua utilização já aumentou e será uma tendência crescente.
6 - Realidade Virtual
O grande papel deste recurso tecnológico está no campo de educação e treinamento. Escolas de medicina em todo mundo precisaram restringir o contato dos alunos e médicos em especialização com pacientes. E é neste cenário que entra este recurso tecnológico. Um estudo de Harvard mostrou que o treinamento com RV melhorou em 230% a performance de médicos cirurgiões em treinamento. É muito usado em simulações de casos médicos.
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