egundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), existem mais de 100 milhões de trabalhadores empregados no Brasil. Ou seja, é um número bastante significativo da população e que pode estar exposto a diversos riscos à saúde por conta de atividades laborais como, por exemplo: manuseio de substâncias tóxicas, realização de movimentos repetitivos, trabalho em altura, manipulação de material biológico, dentre tantos outros. Nesse cenário, torna-se cada vez mais importante a atuação de um médico especialista no cuidado e bem-estar dos trabalhadores — o Médico do Trabalho.
Então, futuro residente, se você quer saber todos os detalhes sobre como seguir em uma das especialidades médicas de maior destaque da atualidade, continue a leitura que vamos te contar tudo que você precisa saber sobre a Medicina do Trabalho, também conhecida como Medicina Ocupacional.
A história da Medicina do Trabalho
Bernardino Ramazzini é considerado o pai da Medicina do Trabalho. Nascido em 4 de outubro de 1633, o médico italiano criou a obra “De Morbis Artificum Diatriba” (em português, “As Doenças dos Trabalhadores”), em que relatava as queixas e os principais problemas de saúde vivenciados pelos trabalhadores da época.
Já no século XVIII, a Revolução Industrial transformou o processo produtivo e, consequentemente, as condições de trabalho. As indústrias fomentaram a atividade no ambiente urbano, gerando novas necessidades e preocupações que culminaram, com o passar dos anos, em melhorias na gestão pública. Em 1943, no Brasil, surgiu a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), com o objetivo de traçar referências de higiene e segurança no ambiente de trabalho.
Em 2002, o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Médica Brasileira (AMB) e a CNRM formaram a Comissão Mista de Especialidades (CME), que reconheceu a Medicina do Trabalho como especialidade médica.
O médico do trabalho
O médico do trabalho é responsável por cuidar da saúde física e mental das pessoas em seus espaços de trabalho. Esse cuidado envolve:
- Participar de campanhas de prevenção de riscos nesses ambientes;
- Conscientizar sobre acidentes de trabalho;
- Ajudar na conservação de boas práticas que evitem agravos à saúde;
- Tratar condições decorrentes da atividade laboral;
- Normalizar e fiscalizar as condições de saúde e segurança;
- Estar familiarizado com os riscos de cada atividade e com as legislações pertinentes;
- Ter vasto conhecimento em clínica médica, nos instrumentos da saúde pública e nas características demográficas de onde atua.
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Características do profissional
A principal característica de um médico do trabalho é ter a capacidade de identificar situações de risco à saúde dos trabalhadores antes que aconteçam. Ou seja, a prevenção é um ponto primordial na profissão.
Dessa forma, destaca-se o profissional com perfil investigativo — com habilidade para realizar uma anamnese detalhada e um bom levantamento sobre as condições de trabalho do paciente. Também é muito importante que tenha consciência de classe e seja detalhista, para que possa lidar com questões administrativas e legais que impactem na saúde do trabalhador.
Outro ponto importante, é que o médico do trabalho seja proativo em se manter atualizado, visto que novas leis e normas relacionadas às atividades laborais são comuns na realidade brasileira.
A Residência Médica em Medicina do Trabalho
Para ser reconhecido como um especialista em Medicina do Trabalho é preciso ter o diploma de Residência Médica ou o Título de Especialista emitido pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), a entidade de âmbito nacional que congrega os médicos do trabalho.
A Residência Médica tem duração de 2 anos e é de acesso direto, ou seja, o médico recém-formado pode ingressar sem precisar cursar outra especialidade como pré-requisito. O programa consiste no treinamento em serviço, com atividades envolvendo a saúde dos trabalhadores em centros especializados.
De maneira geral, as principais atividades do residente são:
- Participar da anamnese, exames clínicos e complementares;
- Acompanhar procedimentos diagnósticos e o estabelecimento da relação causal entre as queixas e a ocupação do trabalhador;
- Definir a conduta terapêutica e outros procedimentos, como a necessidade de afastamento do trabalho e a notificação aos setores responsáveis pela vigilância e fiscalização;
- Valorizar e contribuir para as atividades de Vigilância em Saúde desenvolvidas pelo SUS;
- Dominar a legislação e normas específicas referentes ao trabalho, que orientam a atenção integral à saúde dos trabalhadores;
- Saber orientar e conduzir os procedimentos adequados em situações de urgência e emergência médica relacionados a acidentes ocupacionais.
A concorrência
Segundo os dados da Demografia Médica no Brasil, em janeiro de 2023, o Brasil contou com 562.229 médicos inscritos nos 27 Conselhos Regionais de Medicina (CRMs), representando uma taxa nacional de 2,60 médicos por 1.000 habitantes.
Dentre os especialistas, a Medicina do Trabalho está em 7º lugar no ranking de maior número de profissionais: são 20.804 (4,2% do total de especialidades). Esse número aumentou mais de 50% em 10 anos.
O atual cenário caminha com um aumento gradativo do número de vagas nos processos de Residência Médica, mas ainda é uma especialidade com um número menor de médicos em relação ao total de residentes. No processo seletivo da Santa Casa de São Paulo (ISCMSP) e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), por exemplo, a Medicina do Trabalho foi a especialidade com a menor relação candidato-vaga.
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