A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma das condições mais frequentemente subdiagnosticadas em ginecologia. Ocorre por um processo inflamatório no sistema reprodutor feminino, causado por germes ascendentes provenientes da vagina. Os principais agentes causadores são a Neisseria gonorrhoae e a Chlamydia trachomatis.
Vários outros patógenos também podem estar envolvidos, como a Gardnerella vaginalis e a própria Escherichia coli. Algumas vezes esses agentes conseguem ultrapassar a barreira protetora do muco cervical e ascender através da endocérvice, promovendo um processo inflamatório no útero, tubas e superfície peritoneal.
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Quadro Clínico da DIP
As pacientes costumam apresentar queixa de dor hipogástrica, leucorreia e/ou dispareunia de profundidade. Febre e sintomas urinários também podem estar presentes. Ao exame físico, a paciente apresenta dor à palpação da região hipogástrica e à palpação dos anexos. O exame especular pode evidenciar cervicite purulenta, e o toque vaginal demonstra dor à mobilização (ou à báscula) do colo uterino. Este último achado do exame físico, particularmente, tem associação íntima com o quadro clínico de DIP.
Diagnóstico da DIP
É fundamental que os médicos que prestam a assistência às pacientes com sintomas sugestivos desta patologia realizem o toque vaginal com a mobilização do colo. Os critérios diagnósticos são alocados no quadro 1.
A definição diagnóstica é estabelecida na presença dos três critérios maiores e um menor ou apenas um dos critérios elaborados.

Tratamento da DIP
Apesar de existirem critérios academicamente estabelecidos, a dificuldade nas suas aplicações práticas muitas vezes pode atrasar o diagnóstico e o tratamento. Portanto, recomenda-se o tratamento diante da suspeita clínica.
O esquema de antibioticoterapia recomendado é ceftriaxona 500 mg intramuscular em dose única associada à doxiciclina 100 mg por via oral a cada 12 horas por 14 dias e, ainda, metronidazol 500 mg por via oral a cada 12 horas por 14 dias. A(s) parceria(s) sexual(is) deve(m) ser igualmente tratada(s). Entretanto, existem as situações em que a internação hospitalar é recomendada (tabela 2).

Nos cenários em que a internação hospitalar é recomendada, a primeira opção é a ceftriaxona endovenosa associada à doxiciclina por via oral e ao metronidazol também por via endovenosa. Outra opção é o tratamento de associação de clindamicina e gentamicina.
Ei, futuro residente, atenção!
A DIP ainda é uma patologia subdiagnosticada e subtratada no Brasil. A evidência é a prevalência ainda alta de sequelas tardias, como infertilidade por obstrução tubária, dor pélvica crônica e síndrome de Fitz-Hugh-Curtis (inflamação na cápsula de Glisson). O diagnóstico e o tratamento precoces são fundamentais para que a redução dos casos graves e das sequelas tardias.














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