s doenças infecto-parasitárias intestinais são de grande prevalência clínica e também tema constante de provas. Por isto, vamos abordar neste artigo as principais parasitoses, revisando a forma de transmissão, sintomatologia clínica, diagnóstico, tratamentos e algumas complicações. Conheça a seguir 4 doenças infecto-parasitárias intestinais que não pode ficar de fora dos seus estudos!
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1. Ascaridíase: uma doença que infecta mais de 1 bilhão de pessoas no mundo.
O Ascaris lumbricoides é o helminto que infecta mais de 1 bilhão de pessoas no mundo. Devido à possibilidade de complicações graves, está relacionado a grande letalidade no Brasil. Sendo assim, é um helminto prevalente na prática clínica e nas provas, principalmente no que concerne em relação às suas complicações.
É um helminto cuja transmissão ocorre pela ingestão do ovo com a larva madura, que pode ocorrer tanto pela ingestão de água ou alimentos contaminados quanto pela manipulação e ingestão de terra contaminada. O local de acometimento é o intestino delgado, particularmente íleo e jejuno.
As manifestações clínicas podem ser decorrentes tanto das infestações pelas larvas quanto pelos vermes adultos. No caso das larvas, a manifestação mais importante é a Síndrome de Löeffler, que é a infestação larvária localizada no pulmão que acarreta uma pneumonite larvária, com sintomas de febre, tosse, expectoração e desconforto respiratório, podendo apresentar eosinofilia moderada a intensa no hemograma.
No caso de infestação por vermes adultos, pode ocorrer consumo de nutrientes levando à desnutrição e comprometimento do desenvolvimento ou complicações graves comosub-oclusãoou obstrução intestinal.
O diagnóstico pode ser feito por microscopia direta, parasitológico de fezes ou a visualização direta do verme adulto eliminado pela boca, nariz ou nas fezes.
O tratamento de primeira escolha, para os casos sem complicações, consiste no uso dealbendazoldose única oumebendazolpor 3 dias.
Nos casos de obstrução, não há indicação imediata do uso deascaricidas, pois a morte dos vermes libera toxinas que podem levar à inflamação, paralisia, necrose e perfuração intestinal. Em caso de obstrução subaguda, o tratamento inicial consiste em hidratação venosa, aspiração nasogástrica e administração de óleo mineral.
Caso não haja resolução, ainda pode ser utilizadoenemacom salina hipertônica ougastrografina. O tratamento cirúrgico está reservado aos casos que não respondem a estas medidas ou na presença de sangramento retal outoxemia. É recomendada a desobstrução mecânica (laparotomia associada à massagem do bolo em direção ao cólon), exceto nos casos em que há volvo intestinal, onde está recomendada aenterotomia.
2. Oxiuríase: uma doença infecto-parasitária que tem o prurido anal intenso como principal característica
Aoxiuríase, também conhecida comoenterobíase, é causada pelo Enterobius vermiculares ou Oxyurus vermiculares. É uma doença prevalente no mundo todo e que tem o prurido anal intenso como uma característica particularmente importante e predominante.
A transmissão pode ocorrer de pessoa a pessoa, através de fômites, ou por transmissão indireta, como pela inalação de ovos presentes na poeira ou utensílios domésticos.O quadro clínico pode apresentar náuseas, cólicas, puxo e tenesmo. O sintoma que mais predomina, porém, é o prurido anal, principalmente noturno, acompanhado de grande irritabilidade e por vezes insônia. No sexo feminino, ooxiúruspode migrar para região vaginal e levar a queixas como corrimento e prurido vulvar.
O diagnóstico pode ser feito através da visualização dos vermes na região perianal, 2 a 3 horas após o indivíduo acometido estar dormindo, pelo método de Graham (fita adesiva), ou ainda, devido ao prurido incontrolável, análise de amostras por microscopia obtidas sob as unhas.
O tratamento de primeira linha consiste no uso doalbendazoloumebendazol, que devem ser administrados em dose única com repetição após 14 dias e, alternativamente, pamoato de pirantel ou nitazoxanida, recomendados por 3 dias.
3. Amebíase: uma doença que se apresenta de diversas formas clinicamente
A amebíase é uma doença infecto-parasitárias intestinal que pode ser causada por duas espécies do protozoário. A primeira é a Entamoeba histolytica, patogênica e invasiva, que causa um quadro mais grave que pode levar à óbito. A segunda é a Entamoeba dispar, pouco virulenta e não invasiva, porém causadora de 90% dos casos de amebíase no mundo, principalmente com quadro assintomático ou colite não disentérica.
A transmissão se dá pela ingestão de alimentos ou água contaminada com cistos maduros.
Clinicamente, pode se apresentar de diversas formas:
- Assintomática;
Formas intestinais:
- Colite não disentérica: cólicas abdominais intermitentes, com períodos sem sintomas intercalados com períodos de diarreia líquida ousemi-líquida.
- Colite disentérica: disenteria com muitas evacuações diárias, tenesmo, distensão abdominal, flatulência, cólicas abdominais e febre.
- Colite necrosante: quadro grave com mortalidade elevada, comtoxemia, febre alta, sinais de peritonite, choque hipovolêmico, com diarreia profusa com odor fétido (ovo podre) e sanguinolenta;
Formaextra-intestinal:
- A principal é o abscesso hepático amebiano, que se apresenta com febre alta, dor intensa em hipocôndrio direito com hepatomegalia extremamente dolorosa à palpação.
O diagnóstico definitivo é feito pela microscopia com a identificação detrofozoítasou cistos nas amostras de fezes. Pode ser feito, também, teste imunoenzimático (ELISA). A reação em cadeia da polimerase (PCR) ea reaçãocom anticorpos monoclonais podem ser utilizadas para diferenciar infecção por Entamoeba histolytica das demais.
O tratamento deve ser realizado mesmo nos pacientes assintomáticos e varia de acordo com o quadro apresentado pelo paciente:
- Paciente sem sintomas e com excreção de cistos: utilizar teclosan ou etofamida (amebicidas intraluminais);
- Pacientecom colite invasiva ou abscesso hepático: deve ser tratado inicialmente com metronidazol, tinidazol ousecnidazol (amebicidas tissulares) seguido do tratamento com teclosan ou etofamida. No caso de abscessos hepáticos que não responderem ao tratamento clínico, está recomendada a aspiração cirúrgica ou percutânea do mesmo.
- Nas amebíases, está recomendado exame de controle após tratamento, pois nenhum dos tratamentos disponíveis é totalmente eficaz.














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